Na noite de quinta-feira, o Azteca ruge como um vulcão adormecido por muito tempo. Ingressos esgotados, 80.824 vozes, as bandeiras de 48 nações — e um planeta futebol aguardando a primeira lava a escorrer. Neste 11 de junho, o México lançou sua Copa do Mundo contra a África do Sul: 2-0.
Estadio Azteca, palco da partida de abertura da Copa do Mundo 2026.
A noite em resumo
Data: quinta-feira, 11 de junho de 2026, início às 21h00 (horário francês)
Local: Estadio Azteca, Cidade do México — 80.824 espectadores, ingressos esgotados
⚽ Placar: México 2-0 África do Sul (Quiñones 9º, Jiménez 67º)
Destaque: 3 cartões vermelhos, um recorde para uma partida de abertura da Copa do Mundo
Transmissão na França: M6 em canal aberto, streaming no M6+
Shakira, Burna Boy e 80.000 vozes: o Azteca entra em erupção
Antes mesmo do apito inicial, a noite já havia mudado. Shakira e Burna Boy interpretaram o hino oficial do torneio no gramado do Azteca, acompanhados no programa por J Balvin. Uma cerimônia pensada como uma declaração: a Cidade do México abria o maior Mundial da história, e o mundo inteiro assistia.
Depois, as bandeiras das 48 nações qualificadas desfilaram nas arquibancadas. O clima elétrico fez o resto. Às 21h00, horário francês, o vulcão estava pronto para expelir.
Quiñones-Jiménez: nove minutos para acender o pavio, lágrimas para o que veio depois
Foram necessárias nove minutos. Julián Quiñones aproveitou uma bola perdida por Sithole perto de sua área para fuzilar o goleiro sul-africano e marcar o primeiro gol da Copa do Mundo 2026. O Azteca entrou em fusão. O próprio Quiñones ainda acertou a trave antes do intervalo.
O segundo tempo pertence a um homem. Aos 67 minutos, em um cruzamento de Roberto Alvarado, Raúl Jiménez cortou para o segundo poste para seu primeiro gol em Copa do Mundo. Seis anos após sua terrível fratura no crânio em 2020, o atacante do Wolverhampton saiu do campo com lágrimas nos olhos. El Tri tinha seu roteiro perfeito.
Vibe check: México - África do Sul no Azteca, em formato vertical.
O que lembrar de uma noite com três cartões vermelhos?
Esperava um festival ofensivo? A noite queimou principalmente pela disciplina. Três expulsões em uma única partida de abertura: algo nunca visto na história da competição. Sphephelo Sithole abriu a série já aos 49 minutos, culpado por derrubar Brian Gutiérrez lançado sozinho ao gol.
O resto virou um teste em grande escala para a arbitragem. Themba Zwane foi expulso após recurso ao VAR por uma ação sobre Alvarado, a primeira intervenção de vídeo do torneio. Depois, César Montes recebeu cartão vermelho no acréscimo (90+2) por falta em Khaliso Madau — uma decisão de Wilton Sampaio amplamente contestada, mesmo após revisão. O defensor do El Tri perderá o segundo jogo do grupo A.
Ironia da história: os Bafana Bafana conhecem a música. Em 1998, sua partida contra a Dinamarca já havia terminado com três cartões vermelhos. Vinte e oito anos depois, em seu retorno à Copa do Mundo após dezesseis anos de ausência, a lava caiu sobre eles novamente.
Você sabia?
O Estadio Azteca se torna o primeiro estádio da história a sediar três Copas do Mundo — e três partidas de abertura: 1970, 1986 e 2026. Pelé e Maradona foram coroados lá. O vulcão da Cidade do México tem memória.
De 2010 a 2026: mais que um remake, uma passagem de testemunho
O piscar de olhos não passou despercebido. Em 2010, a África do Sul abriu sua própria Copa do Mundo contra o México (1-1), impulsionada pelo gol lendário de Tshabalala. Dezesseis anos depois, os papéis se inverteram: é o El Tri que recebe e que golpeia forte.
Para o México, coorganizador com os Estados Unidos e o Canadá, essa vitória inicia idealmente uma campanha em casa. 104 partidas, 48 equipes, três países: o formato mais desmedido já tentado pela FIFA acaba de começar com um tremor. O restante do grupo A dirá se a primeira erupção do Azteca anunciava outras.
O AZTECA ACORDOU
O vulcão da Cidade do México expeliu sua primeira lava e o tremor atravessou o planeta futebol. Restam 103 partidas para jogar — a correnteza está apenas começando.