Ao sul de Paris, uma torre vazia domina a Grande Borne. No conjunto habitacional, diz a lenda que quem sobe até lá não desce mais, e que algo se move em suas profundezas. Por trás da lenda? Kraken, o filme de terror que transformou Gazo e La Mano 1.9 em atores.
Kraken, de Mohamed Chabane e Théo Jourdain Rhodes, em cartaz desde 30 de setembro de 2026.
Kraken em resumo
Estreia: 30 de setembro de 2026, proibido para menores de 16 anos
Direção: Mohamed Chabane e Théo Jourdain Rhodes, primeiro longa-metragem
Cenário: uma torre abandonada da Grande Borne, em Grigny
Elenco: Manon Bresch, Alassane Diong, Guillaume Gouix, Bilel Chegrani, Gazo, La Mano 1.9
Bilheteria: 103 671 ingressos na França (AlloCiné, 12 de outubro de 2026)
Um boato, uma torre, um policial: a origem de um confinamento nascido no conjunto habitacional
A ideia não surgiu em uma escola de cinema. Veio de uma conversa informal no sul da França, com um dono de forno comunitário que se tornou cinéfilo na prisão. Sua sugestão: uma história de terror no coração de um grande conjunto habitacional.
A semente cai nas mãos de Mohamed Chabane e Théo Jourdain Rhodes, que passaram pela série Young Millionaires. No Séries Mania, eles conhecem o produtor Guillaume Thevenin. A mesma obsessão, o mesmo cenário: um confinamento de terror em uma torre.
Faltava escolher o que espreita lá no fundo. Um ex-militar que enlouqueceu, uma criança-soldado: as possibilidades se sucedem. A dupla investiga mais a fundo e volta com um medo enraizado na realidade.
"Um policial que pirou... que mata uns caras, e retomamos todos os casos de violência policial no estilo de um filme de terror."
— Théo Jourdain Rhodes, codiretor, nos bastidores das filmagens do AlloCiné
Os assassinatos são cometidos com armas de serviço: taser, granadas de efeito moral. Guillaume Gouix empresta o rosto ao assassino. O monstro das profundezas não tem tentáculos. Ele veste um uniforme.
Do microfone à escadaria
Para seus primeiros papéis no cinema, Gazo e La Mano 1.9 não foram escolhidos por suas reproduções em streaming. Os diretores procuravam rostos com presença natural, tendo Top Boy como referência. A série britânica já havia provado que um conjunto habitacional podia servir de cenário para uma ficção sem virar cartão-postal.
No set, nada de tratamento de estrela. O ícone do drill francês encara as cenas físicas como um dublê profissional, e o codiretor ainda se lembra disso.
"Ele é arrastado pelo chão no telhado, a -2°C no inverno. Nunca reclamou."
— Mohamed Chabane, codiretor, sobre Gazo (AlloCiné)
Manon Bresch conta a mesma história. Entrevistada pela Numéro, a atriz diz que os dois rappers participaram de todas as sessões de trabalho e leitura. Ela os descreve como « totalmente profissionais », sem nada a dever aos atores formados no teatro.
A imersão não termina nos créditos. A dupla assina KRAKEN, faixa da trilha sonora, com um clipe oficial publicado no canal de La Mano. O filme sai do rap, o rap volta para o filme: o ciclo se fecha.
Imperdível: KRAKEN, o clipe oficial de La Mano 1.9 e Gazo para a trilha sonora do filme.
Vibe check: KRAKEN, faixa da trilha sonora do filme.
Última filmagem antes da demolição: quando o cenário se torna o monstro
Nada de estúdio, nada de tela verde. Kraken foi filmado em um prédio de verdade, e Manon Bresch revela o detalhe arrepiante: essa foi a última filmagem no local antes de sua demolição.
Lá dentro, até o ar joga contra os atores. « Havia aquela umidade, aquele cheiro, aquele frio (fazia cerca de 5 graus a menos do que lá fora) », conta ela à Numéro. Quanto mais se avança pela torre, mais fundo se afunda.
Nos efeitos, a dupla de diretores aposta em próteses e maquiagem prática em vez de recursos digitais. Manon Bresch, por sua vez, faz as próprias cenas de ação com Manu Lanzi, seu coordenador desde Mortel. Fã de terror? « De jeito nenhum », responde ela.
Você sabia?
Bilel Chegrani, que interpreta Marvin, voltou a filmar em seu bairro exatamente dez anos depois de sua estreia em um primeiro curta-metragem. Para ele, a torre não era um cenário. Era um retorno às origens.
103 671 ingressos: a aposta realmente valeu a pena?
Antes mesmo da estreia, a torre já fazia vítimas. Dois espectadores passaram mal durante a pré-estreia no Grand Rex. Some a isso a classificação proibida para menores de 16 anos: a reputação já estava consolidada antes da primeira sessão.
O início confirmou as expectativas. Segundo os números divulgados pela Generations, o filme registra 10 523 ingressos no primeiro dia e ultrapassa os 20 000 em dois dias. Em 12 de outubro, o AlloCiné registra 103 671 ingressos na França.
Já a crítica divide opiniões. 3,4/5 da imprensa, 3,1/5 do público no AlloCiné. O gore e a atmosfera da torre lideram os elogios; um roteiro considerado convencional demais, as críticas.
O verdadeiro impacto está em outro lugar: um público que veio pelo elenco ligado ao rap descobre um filme francês de gênero. E fique de ouvidos atentos: Manon Bresch deixou escapar que talvez apareça no próximo álbum de Gazo e La Mano 1.9. Ainda não é certo, mas a criatura ainda não terminou de se mover.
O MONSTRO SAI DA TORRE
Dois rappers desceram às profundezas de uma torre condenada e voltaram como atores. O prédio já não existe, mas a criatura ressurgiu: a sequência já está sendo escrita.