Ed Sheeran e Macklemore: por que Filadélfia mudou tudo?
Sumário
Filadélfia, sábado à noite, um estádio lotado e um palco grande demais para um só homem. Há dez dias, a mesma polêmica gira em loop, e cada nova camada cobre a anterior. Ed Sheeran faz seu primeiro show desde a saída de Macklemore: sozinho, sem primeiras partes, com desculpas como abertura.

Ed Sheeran diante do público de Filadélfia, 19 de setembro de 2026, primeiro show do Loop Tour após a saída de Macklemore.
A noite em resumo
- Data: sábado, 19 de setembro de 2026, Lincoln Financial Field, Filadélfia
- Formato: Ed Sheeran sem primeiras partes, com uma banda reunida em três dias
- Setlist: 29 músicas, quase três horas de show
- Doações anunciadas: Macklemore 1 M$, Ed Sheeran 2 M$, Robert Kraft 2 M$
- ️ Próxima etapa: Gillette Stadium, Foxborough, 25 e 26 de setembro
MetLife, depois o efeito dominó: uma turnê esvaziada em dez dias
Tudo começa em New Jersey. Nos dias 4 e 5 de setembro, no MetLife Stadium, Macklemore aquece o público na primeira parte. Ele lança "Free Palestine" e toca Hind’s Hall, sua música sobre Gaza lançada em 2024. Nada de novo para o rapper de Seattle, que apoia essa causa publicamente há dois anos.

O resto acontece longe do palco. Em 14 de setembro, Robert Kraft, dono dos New England Patriots e do Gillette Stadium, liga para Ed Sheeran por quarenta minutos. Com outros donos de franquias da NFL, ele qualifica as declarações do rapper como discurso de ódio e ameaça cancelar as datas envolvidas. O promotor, Messina Touring Group, decide: Macklemore deixa a turnê.
Ed Sheeran repete que a decisão cabe ao promotor, não a ele. Tarde demais para cortar o ciclo. Finneas, Lukas Graham e Aaron Rowe se retiram em solidariedade, e Beoga, a banda irlandesa que o acompanhava no palco, segue o movimento. Em poucos dias, o Loop Tour perde todas as suas camadas, uma a uma.
O detalhe que incomoda
Entre os donos da NFL citados por Robert Kraft durante sua ligação está Jeffrey Lurie, chefe dos Philadelphia Eagles. O Lincoln Financial Field é o estádio onde os Eagles jogam. Ed Sheeran, portanto, pediu desculpas dentro da arena de uma das franquias que ameaçavam cancelar seus shows.
Um homem, um pedal, cinquenta mil olhares
Para entender a noite, é preciso voltar à ferramenta favorita de Ed Sheeran: a loop station. Um pedal que grava o violão, a voz, as percussões, e depois toca em loop para construir uma música inteira por uma só pessoa. Neste sábado, o princípio se torna uma necessidade.
O cantor até removeu o B-stage, o pequeno palco no meio do público. Ele explica que o tirou por medo do que poderia acontecer se ficasse no meio da multidão. Antes da primeira nota, ele lê um texto preparado no teleprompter, já parcialmente publicado no Instagram durante a semana.
Ele diz que nunca quis ser um comentarista político, e quer shows voltados para a unidade. No conteúdo, ele qualifica o ataque de 7 de outubro no festival Nova como horrível. O que acontece em Gaza, para ele, é catastrófico, injustificável e desproporcional.
"Tive que tomar decisões difíceis, cometo erros, e sinto muito, muito mesmo."
— Ed Sheeran, no palco do Lincoln Financial Field, 19 de setembro de 2026
Ele acrescenta que já conversa com interlocutores de todos os lados para ajudar as vítimas. Também se preocupa ao ver estádios aprovando previamente o conteúdo dos artistas. Um show ainda pode ser neutro quando o próprio estádio entra no debate?
O que resta do ciclo Sheeran-Macklemore?
A história pesa ainda mais porque os dois homens se conhecem bem. Em 2015, Macklemore e Ryan Lewis lançam Growing Up (Sloane’s Song), carta de um pai para sua filha, com Ed Sheeran no refrão. Uma faixa gravada a dois, muito antes do ciclo se romper.
Em sua longa mensagem no Instagram, Macklemore menciona conversas difíceis com seu amigo, terminadas em um desacordo fundamental. Ele o acusa de não tomar partido e recentra o discurso: "The victims are the Palestinian people", as vítimas são os palestinos. Robert Kraft assegura que sua decisão não visa minimizar o sofrimento dos civis palestinos, lembrando a responsabilidade do Hamas.
Resta o dinheiro, desta vez destinado à ajuda humanitária. Macklemore anuncia doar 1 milhão de dólares, todo o seu lucro líquido da turnê, a seis organizações de ajuda aos palestinos, e desafia Kraft a fazer o mesmo. Ed Sheeran compromete-se com 2 milhões, Kraft anuncia a mesma quantia. No streaming, as audições de Macklemore, Aaron Rowe e Beoga aumentam significativamente, as de Sheeran permanecem estáveis.
O clipe abaixo não tem relação com a crise de setembro. É justamente por isso que deve ser revisto: mostra o que a polêmica colocou em pausa, uma amizade capaz de produzir uma música inteira a duas vozes.
Vibe check: Growing Up (Sloane’s Song), a colaboração de 2015 entre Macklemore, Ryan Lewis e Ed Sheeran, muito antes da ruptura de setembro de 2026.
Depois de Filadélfia: Foxborough, a data mais armadilhada da turnê
O show, ele resistiu. 29 músicas, quase três horas, Shape of You, Perfect, Thinking Out Loud e uma versão de Superstition. A banda reunida em três dias toca firme, e o estádio responde gritando "We love you, Ed".
No final, o cantor se emociona. Fala de uma das piores semanas da sua vida e de pessoas próximas que se afastam, enquanto seu primo Jethro acaba de escrever publicamente que tem vergonha dele. Depois olha para a multidão e diz ver 50.000 pessoas que não o abandonaram. Ele qualificará a noite como o melhor show de sua carreira.
O mercado de revenda já sentiu a tempestade: o preço dos ingressos para Filadélfia caiu quase 60%. Próxima etapa, o Gillette Stadium, 25 e 26 de setembro. O estádio de Robert Kraft. Fiquem de olho nessas duas noites: o ciclo será tocado novamente na casa do homem que influenciou a saída de Macklemore.
O ciclo continua
Em Filadélfia, Ed Sheeran teve que tocar sozinho cada camada de sua música, incluindo as desculpas. Resta saber se o ciclo resistirá em Foxborough ou se quebrará na próxima etapa. A contagem regressiva começou.
#EDSHEERAN #MACKLEMORE #LOOPTOUR #RADARPXP #PHILADELPHIE