Marselha. A rada, o porto, a noite que cai. Há vinte anos, uma voz grave dita sua lei no cenário — um padrinho que transformou seu bairro em um brasão. Por trás da saga Capo Dei Capi? Alonzo, o arquiteto de uma dinastia marseillesa inabalável.
Alonzo, o Capo que reina no rap marseillesa.
Alonzo em resumo
Identidade : Kassim Djae, alias Alonzo / Capo Dei Capi
Origem : Marselha, bairros norte
Trajetória : Psy 4 de la Rime, depois carreira solo lançada em 2010
Álbum principal :Avenue de Saint-Antoine (2016, duplo platina)
Hit assinatura :C'est elle feat. Ninho (2019, nº2 na França)
Psy 4 de la Rime: as primeiras pedras de um trono
Tudo começa nos bairros norte de Marselha. Um grupo de crianças, um microfone, um cenário local fervilhante. O grupo Psy 4 de la Rime sai dessa matriz — Soprano, Sya Styles, Vincenzo, e ele. Segnor Alonzo.
O grupo fincou sua bandeira no início dos anos 2000. Marselha finalmente encontra sua voz no rap francês, após anos em que Paris parecia segurar a coroa. Psy 4 não pede o lugar. Ele o toma.
Alonzo já desempenha seu papel. Voz grave, postura firme, letras que batem forte. Enquanto outros buscam sua identidade, ele coloca as pedras de um personagem que fará crescer por duas décadas.
De Segnor Alonzo ao Capo: a transformação de um reinado
2010 marca a virada. O grupo faz uma pausa. Alonzo lança sua carreira solo com Les temps modernes e muda de pele. Adeus Segnor, lugar para o Capo — o chefe, o padrinho, quem decide.
O rapper aprimora seu personagem álbum após álbum. Códigos mafiosos estilizados, estética de padrinho mediterrâneo, voz que desce cada vez mais no grave. O selo toma forma.
Em 2015, Règlement de comptes conquista a certificação de ouro, com Même tarif que sobe para o 8º lugar no ranking francês. Um ano depois, Avenue de Saint-Antoine — impulsionado pelo hit Binta — alcança o duplo platina. A dinastia não é mais uma postura — ela se mede em certificações.
Você vê a diferença? Muitos rappers interpretam o chefe na tela. Alonzo, ele, instala seu reinado nos números.
Capo Dei Capi: a saga que selou a dinastia
2015. Alonzo lança o Volume 1 de Capo Dei Capi. Não é um álbum clássico. Uma saga. O título diz tudo — o chefe dos chefes, fórmula mafiosa italiana, selo de autoridade. O projeto não se parece com nada no rap francês.
O selo esperará seis anos antes de voltar. Em 2021, Alonzo lança um duplo álbum, Capo Dei Capi Vol. II & III, que sobe até o nº3 nas paradas francesas. O single La Seleção, feito com Jul e Naps, alcança o 2º lugar. A saga retorna, e todos esperavam por ela.
Entre os dois volumes, a máquina não desacelerou. 100% em 2017 conquista o platina. Stone em 2019 coloca seis faixas no top 10 ao ser lançado, incluindo C'est elle com Ninho que alcança o 2º lugar no ranking. Seis faixas no top 10 em um único álbum: uma onda de números.
O selo Capo não é só uma imagem. É uma continuidade narrativa que atravessa cada projeto, e que o grande público acabou por identificar instantaneamente.
Imperdível: La Seleção, o trio marseillesa Alonzo × Jul × Naps que alcançou o nº2 em 2021.
Você sabia?
No lançamento de Stone em 2019, Alonzo colocou seis faixas simultaneamente no top 10 do ranking francês. Uma demonstração de força que mostra que o Capo não joga mais no time dos outsiders — ele ocupa o topo do palco.
Por que Marselha mantém sua coroa?
Muitos rappers marseilleses acabam se instalando em Paris. Alonzo, ele, nunca largou a cidade fócea. Não é uma postura — é um enraizamento. Marselha atravessa seus textos, seus clipes, suas escolhas de produção.
A rada, o porto, os bairros norte. As referências voltam como um brasão que não se abandona. O Capo fez da cidade uma extensão de seu personagem, e de seu personagem uma extensão da cidade.
Esse enraizamento explica a longevidade. Quando uma cena inteira girava em torno dos códigos dominantes parisienses, Alonzo manteve seu território. Vinte anos depois, ele é um dos pilares mais estáveis do rap do sul.
Sua coroa não está posta sobre Paris. Ela permanece fixada em Marselha. E isso, poucos rappers podem dizer depois de duas décadas de carreira.
Estilo assinatura: o uniforme do Capo
Total black, óculos escuros, correntes discretas mas marcantes, silhuetas sóbrias mas cortadas na medida. Alonzo construiu um uniforme visual que combina com seu personagem: o padrinho mediterrâneo, entre a elegância italiana e a rudeza streetwear marseillesa. Nada de drip exagerado, nada de efeito de manche — uma presença. O tipo de assinatura que transforma o simples ato de aparecer na tela em uma declaração.
Vibe check: a discografia do Capo, para ouvir e entender a profundidade do reinado.
O CAPO AINDA REINA
Vinte anos após as primeiras pedras, o trono não vacilou. Marselha ainda carrega sua coroa, o selo Capo continua a marcar cada geração que surge. A dinastia ainda está sendo escrita.